Em um dos primeiros dias de outubro, em 1815, antes do pôr-do-sol, um homem
viajava a pé. Tinha aparência assustadora. Seria difícil encontrar alguém com aspecto
mais miserável. Era forte, de estatura mediana. Parecia ter de quarenta e cinco a
cinqüenta anos. Na cabeça, um boné com aba de couro. A camisa, de tecido grosseiro,
mal fechada deixava ver o peito cabeludo. Calças esfarrapadas. Sapatos sem meias.
Nas costas, um volumoso saco de viagem de soldado. Trazia na mão um cajado
de madeira, cheio de nós. Cabeça raspada e barba crescida. O suor e o pó da estrada
tornavam sua aparência ainda pior.
Chegou à cidade francesa de Digne. Lá, ninguém o conhecia na cidade. Comoera hábito na época, passou na Prefeitura para se identificar. Apresentou seu documento,
uma espécie de licença, exigida para viajar pelo país na época. Em seguida, procurou a
melhor estalagem local, de propriedade de um tal Jacquin Labarre. Os fogões estavam
acesos. A lareira aquecia o ambiente. Labarre preparava o jantar destinado aos hóspedes.
Quando ouviu a porta se abrir, sem tirar os olhos do que estava fazendo, perguntou:

Nenhum comentário:
Postar um comentário